Hip Hop no Conselho de Cultura de Alvorada/RS

A renovação da representação do segmento Hip Hop no Conselho Municipal de Política Cultural de Alvorada é mais do que um processo formal — é um ato político de resistência e construção coletiva. Desde a criação do Conselho, o Hip Hop tem assegurado seu lugar na luta por uma cultura verdadeiramente democrática, acessível e transformadora. E nessa nova gestão, a Associação Cultural Hip Hop Cura renova seu compromisso com essa missão.

Cristiano Nazaré (Irmão Cris), presidente da Cura, assume a cadeira titular, e Alisson (Aloha), também integrante da associação, a suplência. Ambos representam não só a cultura Hip Hop, mas também um modo de pensar política pública: com base na vivência das ruas, no compromisso com a comunidade e no conhecimento das leis.

O Conselho de Cultura é parte do Sistema Municipal de Cultura, criado pela Lei nº 2.827/2014, e estruturado pelo Plano Municipal de Cultura (Lei nº 3.772/2022). Trata-se de um espaço de participação e deliberação onde se define, fiscaliza e propõe o uso dos recursos públicos, os editais, os planos de ação e as diretrizes culturais da cidade.

Em Alvorada, o Conselho é composto por representantes de diversos segmentos culturais — entre eles música, audiovisual, capoeira, gospel, belas artes, literatura, cultura afro, tradicionalismo, dança, teatro, carnaval e, claro, o Hip Hop.

Estar no Conselho é ocupar um espaço de poder para garantir que a cultura não seja tratada como favor, mas como direito constitucional — como está previsto no artigo 215 da Constituição e reafirmado no próprio Plano de Cultura de Alvorada. Esse plano estabelece como princípios a democratização do acesso, o fomento à produção cultural, a transparência, o controle social e a ampliação dos recursos públicos para a cultura.

Mas para que esses princípios saiam do papel, é fundamental a atuação de conselheiros comprometidos com a base — que não apenas denunciem o que está errado, mas também proponham caminhos, pautem soluções e fiscalizem a aplicação das políticas com firmeza e responsabilidade.

Críticas são necessárias, sim. Mas a crítica precisa vir acompanhada de propostas construídas coletivamente com os fazedores de cultura. O papel do conselheiro não é apenas “acompanhar” — é pressionar, fiscalizar, elaborar e dialogar com o poder público em nome de um segmento inteiro que historicamente foi excluído das decisões.

📣 O que é um Conselho de Cultura?

O Conselho Municipal de Cultura é um espaço de participação social, formado por representantes da sociedade civil e do poder público, com o objetivo de propor, acompanhar e fiscalizar as políticas culturais da cidade.

Ele faz parte do Sistema Municipal de Cultura (Lei nº 2.827/2014), e está diretamente ligado à construção e acompanhamento do Plano Municipal de Cultura, com metas e ações definidas para os próximos 10 anos.

Esses instrumentos são garantidos pela Constituição Federal, especialmente pelo Artigo 215, que afirma que cultura é direito de todos e deve ser apoiada e incentivada pelo Estado.

Um espaço para dialogar, propor e transformar

O Conselho deve ser um espaço onde diferentes expressões culturais se reúnem para dialogar com o governo, propor soluções, apresentar demandas e acompanhar o uso dos recursos públicos da cultura.

Mas nem sempre é assim. Em muitas cidades, os conselhos funcionam com baixa participação popular, pouca visibilidade e dificuldades de diálogo com o poder público. Por isso, é tão importante que mais pessoas se envolvam, ocupem essas cadeiras e fortaleçam esse canal de comunicação entre a cultura e o Estado.

O Conselho é um espaço de responsabilidade, pois cada conselheiro é eleito por seu seguimento e passa a ser uma ponte de diálogo entre governo e a comunidade cultural que ele representa. Os conselheiros devem acompanhar os editais, propor melhorias no acesso, lutar por mais recursos e incentivar políticas que cheguem onde a cultura realmente necessita — nas vilas, nas escolas, nas praças, nos grupos independentes, nos coletivos e nas rodas culturais.

Foto oficial da prefeitura, por Eduarda Cezar

 

Conhecimento é poder: acesse as leis e fortaleça sua caminhada

Se você é fazedor ou fazedora de cultura, produtor, artista ou educador, vale a pena conhecer os instrumentos que garantem seus direitos culturais:

Essas leis garantem que a cultura seja tratada como política pública e não como favor. Mas para que elas funcionem de verdade, precisam ser conhecidas, cobradas e vividas por quem faz a cultura acontecer todos os dias.

🌍 E na sua cidade, como está o Conselho de Cultura?

Você sabe se sua cidade tem um Conselho de Cultura ativo? Quem representa o seu segmento? Como estão sendo aplicados os recursos públicos? Você pode participar e ajudar a construir políticas públicas culturais com mais justiça e representatividade!

A cultura precisa de mais gente informada, envolvida e ocupando os espaços de decisão. O Hip Hop está fazendo a sua parte. E você?

 

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